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terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Coisinhas de Kevo

HOje foi Amigo Secreto aqui em casa. Primeira festinha de Natal da
Mariles, também, e você ganhou um grande caminhão da Diva. O camkinhão é
realmente grande, daqueles feitos para serem enchidos de areia com uma
pá imensa, que veio junto com ele. Você ficou extremamente feliz, e
elegeu o caminhão como o seu xodó, por tempo indeterminado.
Sentado na sala, antes de dormir, enfileirou todos os seus caminhões
e, antes de, finalmente conceder em ir se deitar, fez que prometêssemos
que seus preciosos caminhões ficariam ali, intactos, até a manhã do dia
seguinte.
Falando com sua tia, pensou que conversava com a avó, e lhe disse:
eu estou com a busa que a senhora deu. Tem um ziper...
Que lindo meu pequenininho!
Quando nossos convivas, chegaram, a primeria cois aque você fazia era
anunciar que tinha coxinha.
Gosto muito de você, pequenininho. Agora demospara te chamar de
chiuaua, ou seja lá como se escreva o nome daqueles cachorrinhos
pequenos e barulhentos. O fato é que, mal gradas as dificuldades
inerentes a uma criancinha de dois anos, você continua sendo nosso
potinho de alegria, nossa bênção, nosso "tinzinho alegria."
Recentemente tivemos que encontrar uma fralda noturna maiorpara
você, que está bordejando a marca dos 15 quilos. Ao ver a nova fralda,
você decidiu que ela era "muito xique", e não consegue esquecer de
anunciar que agora usa uma falda gadona emuito xique.
****

Hoje sua irmã caiu do trocador. Passou por debaixo da minha mão e
simplesmente foie statelar-se no chão, aos meus pés. Não aconteceu nada
mais grave, mas ela chorou muito e nos assustou a todos. Com ela no
colo, chorávamos juntas, eu um pouco de alívio, culpa, alegria por ela
estar bem.. - tudo junto! QWuando você chegou, me viu chorando e ficou
fazendo carinho em mim...


Enfim, Estêvão, gostaria de ter jeito e ocasião de te escrever mais
vezes. Gostaria de contar dasdelicinhas de nosso dia-a-dia, das agruras
e delícias desses últimos meses, de como nossa vida ficou mais corrida e
tão mais plena, depois que sua irmã chegou, de como você ficou triste
hoje quando, de repente, nossos convidados se despediram eforam
todosembora...
Acho que, pela primeira vez, você pressnetiu o peso da solidão, seu
império hialino sobre nossas almas.
Agora devo ir... Você vem me buscar para dormir.. +Mamãezinha linda,
amiguinha....
Durmamos juntos então, meu amor... Eque assim seja... Que você possa
crescer, brincando e aprendendo e enfileirando caminhões, enquanto a
vida te der tempo para brincar, até que ela não te convoque para vida a
sério.

sábado, 12 de setembro de 2009

Retrato falado de Martim Estêvão aos 2 anos e 4 meses

Uma criancinha de 2 anos e 4 meses: barulhenta, engraçada, arteira e
vivas. Desafiante e desafiadora, carinhosa e terna. Mede a vida em
sacolas, enfia os brinquedos lá de qualquer jeito. Gosta de ouvir as
mesmas músicas por trilhões de vezes; argumenta e pede desculpas com
facilidade; quer subir em todas as superfícies do mundo; abraça e beija
sem economia, mas isso só para as pessoas de quem gosta. Come sozinho e
quase não usa mais fraldas: faz seu xixi no vaso e chama todo mundo para
vê-lo mandar força na hora de fazer cocô. Diz em tom muito sério que vai
defecar, e fica mais que orgulhoso ao ser capaz de puxar a descarga.
Fala, canta e grita o dia todo.
"fica pertinho do eu", costuma pedir. "Mamãe, vamos bincar de castelo!"
"mamãe, vamos bincar de netras!" "mamãe, quelo passiar!" "eu peguei uma
meia!" "essa sacola é minha!"...
E os dias escorrem por nós.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Nos dias de hoje...

A maior parte das suas crises e tristezas passou após a ingestão do
vermífugo (?????). Você passa o dia cantarolando pela casa, mexendo na
sacolinha das meias e coisinhas assim. Não liga muito mais para dvd.
Está fonoauiologicamente indeciso entre um "r" mais francês que
português e o "r" do sotaque mineiro.
Tem sido dias profundamente exaustivos, meu amor, mas uma película
de bem-estar parece transpassar a cada um de nossos minutos. Parece que,
finalmente, desde a gravidez, tudo está no seu lugar. O nascimento da
sua irmã parece ter espalhado sobre nós certo halo de completude e
finalidade, certa atmosfera radiosa e terna que nos justifica e une cada
vez mais.
Você agora é um menininho. Corpo de menininho, hábitos de menininho,
voz de menininho. Para tudo ficar perfeito, faltava apenas eu conseguir
te colocar para dormir denovo, mas deve ser questão de tempo.

domingo, 21 de junho de 2009

Notícias - falas do Kevo

Amore, não ando muito boa para escrever sobre nada. A gestação da sua
irmã está chegando ao final, e minha mente está cada vez mais lerda,
tendo iniciado o processo há mais ou menos um mês.
Mas você anda tão bonitinho e fofinho, que eu tinha que contar
algumas coisas.

*** frases do Kevo***

- Não, papai, não faz xixi não!

- Ri, mamãe! Ri, papai! (do nada)

- Vamos conversar... A roupa da mamãe tá na casa dela; a roupa do
papai, tá na casa dele.... A roupa da mamãe, ta na casa dela....

- Não, papai, não pega o eu não!!!

- quer coco, mamãe, quer?

Para além de tudo isso, você tenta cantar tinzinho camarada e
tinzinho amigão. Repete "marchem, marchem, vamos proteger" por um longo
tempo.

Misila virou Malise e Misieca. Fala com ela colocando a boca na
minha barriga ou enfiando o dedo no umbigo.

- Papai gandão. Kevo pequeniniiiiiinho!

- Ta comendo boachinha sozinho, sozinho!

- Kevo gota da mamãe.. Muito.

- mamãe, vem aqui!!!

Bebe água sozinho e fala que estava com cede. Pede comida e fala que
tava com fome.

- Kevo quer comida! Kevo ta com fome!


Chupupa virou diculpa;
gaveta é varreta;
Fala frases como "pulei e caí"
Mudou o tom para dizer "não": agora é meio surpreso e mais
simpático.
Fala aonde estão as coisas que caíram: "a meia tá no cantinho".
Batizou o lugar aonde ficam seus copos de "cantinho da aguinha do Kevo".
Quando perguntamos, de forma retórica, quem você pensa que é, a
resposta não se faz esperar: Matinho Kevo!!!!!
Gosta de suco de naanja.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Resumo de notícias

*pula no trocador gritando "timããão iiiooooo!"

*revolta-se porque o pai quer te trocar e grita:
- "Não põe a fralda ni mim!!! Não põe a fada no vocêêêê!"

*|Tudo para você agora é "nãããããão", e só agora eu entendo quanto o
"conhecer os seus limites" das "etapas do desenvolvimento infantil" eram
literais.

*Acorda e vem para nossa cama, esperar seu "mamazinho de cuiki". Se n´so
colocamos na sua mão, não no criado, você deposita no criado para depois
pegar sozinho.

*Você continua com problemas para dormir, e agora parece que não quer
mais dormir de tarde, não durante a semana. À noite, então, você está
absurdamente estimulado e quase fora de controle.

*É lindo quando você desperta pela manhã e chama "mamãe, mamãezinha" e é
igualmente terno o jeito como você fala algumas vezes, quando seu papai
volta para casa: "papai chigôôôôôôô!"

*No final dessa gravidez, eu tenho comido bastante brigadeiro, ams sem
enrolar. Você se aproxima e pede. Eu ponho uma pelota de brigadeiro no
dedo e você o leva a sua boquinha, todo feliz.

*Algumas palavras têm evoluído no seu vocabulário: chiquito virou
castigo; Dia há muito é Diva e Pochola agora é.... Nem sei mais.
Fla palavras meio difíceis como "devolveu", e é usual te ver dizendo
"diculpa", "po fovor" e, mais ainda "bigado" e "diada".Há alguns meses
deixou de comer danone para comer "doete / danete", e continua pedindo
para subir no armário para mexer nas próprias coisas.

*Essa semana a Diva retornou, dessa vez para cuidar de você três vezes
por semana. Fizemos com ela um contrato de 45 dias, que deve durar até o
o nascimento da Mariles. Sua rotina, portanto, está mais variada, com
mais divertimentos voltados para a sua idade. Às segundas, vocês vão a
uma pracinha aqui na cidade, onde existe areia e parquinho; às quartas,
vocês vão na pracinha aqui perto, ou andar de velotrol pela rua; na
tuinta, você vai à casa dela, onde normalmente encontra a Joyce e a
Bianca, com quem gosta de brincar.
No restante dos dias eu fico contigo, e embora não seja capaz de
estar contigo pelas manhãs quase nunca, pela tarde tenho podido te
ofertar uma atenção quase que integral, exceto quando preciso atender ao
telefone ou ir ao banheiro.

*Apesar dos dois anos recém-completos, você conhece aproximadamente dez
letras do alfabeto e algumas cores. Também tem mania de giz de cera e já
preencheu um caderninho grande, estando agora no segundo. Normalmente
pede que as pessoas desenhem para você e tenta imitá-las, com um sucesso
que revela mais boa-vontade que coordenação motora precoce. Mas você
realmente se diverte com os lápis, embora nem sempre consiga restringir
seus impulsos criativos às flhas do caderno.
Você gosta especialmente das folhas em branco, às quais denomina de
"fola boiiita".

*Sempre que você repara que alguém se banhou ou trocou de roupa, você
anuncia o fato, não raras vezes acrescido de um elogio: papai tomo
banho. Ta cheooooso! Mamãe navoo cabelo... Ta buiiiiita!"

domingo, 17 de maio de 2009

Todos temos um coração

Quase todos os dias penso em vir aqui te escrever, e quase todos os
dias não consigo. Nesse finalzinho de gravidez, parece que tenho tão
poucas energias, que mais convém empregá-las cuidando de você que te
escrevendo aqui, apesar do imenso prazer que isso me causa.

***

Ontem, na hora de dormir, coloquei sua mãozinha sobre seu coração
batendo. Você pareceu devidamente impresionado: primeiro teve medo,
imagino porque tenha imaginado que bater estivesse quase sempre
relacionado a doer; depois ficou encantado, colocando a mão no peito e
imitando vocalmente o barulho que captava de lá. Em seguida fez um
inventário de todas as pessoas que conhecia, relacionando-as a seus
corações pulsantes. Mais tarde pôs a mão na barriga e declarou,
sentidamente, que seu coração "tinha ido embora". Então acabou
adormecendo, não me abraçando, como sempre, mas com as duas mãos
pousadas no peito e a minha por cima, porque você queria que eu também
sentisse as batidas.... Lindo....

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Carta da sua mãe pelo teu aniversário de um ano

Meu querido amorzinho...

Você fará um ano em breve. O quarto de hóspedes está ocupado por uma
grande caixa contendo boa parte dos itens de sua festinha. Os convidados
não serão tantos, mas serão bem-vindos. Pensei em proporcionar que eles
escrevessem algo, nem que fosse seus nomes. Fico me perguntando quando
você lerá isso pela primeira vez. Gostaria de esperar um tempo, bastante
tempo. Acabo fantasiando sobre como estará o mundo, quando você puder
ler e entender essas palavras. Em que o homem terá evoluído em matéria
de auto-destruição e de amor ao próximo.
Em tempo, muitas vezes te imagino bem maior e, até, com algumas
afinidades semelhantes as minhas. Embora tentador, sou bastante
econômica nesses devaneios. Não quero te idealizar. Quero que você tenha
espaço para ser exatamente o que é. Nutro, entretanto, o desejo
incontrolável de poder semear na sua o melhor de minha própria
essência... O melhor dos ideais mais sagrados, das impressões mais sutis
e de toda sabedoria que algum dia houver passado por mim.
Espero ter capacidade para fazer isso. Não obstante hesite bastante
em idealizar teus gostos mais pessoais, não me pejo minimamente em
esperar e torcer para que você seja um homem de bem. Esse, portanto, é o
meu principal objetivo, o único sonho que gostaria que realizássemos
juntos.
Gostaria de tentar educá-lo sob os ensinamentos do nosso Mestre dos
Mestres, de plantar em você as sementes de um respeito imperecível por
si mesmo e por qualquer coisa viva que tenha diante dos olhos, a firmeza
de caráter necessária que te faça ter a coragem de enfrentar o mundo
cara a cara, lúcido, sereno, sem medo da dor, das conseqüências de amar
verdadeiramente e da incompreensão.
Houve um tempo, meu amor, em uma idade cronológica que espero que
você vivencie sob provações bem menos ásperas que as minhas, em que a
única coisa que tinha eram meus ideais e minha fé no Cristo. Mesmo
tendo sido tempos indiscutivelmente rudes, foi uma época de muito
crescimento e, sobretudo, de uma união sagrada entre mim e Deus, entre
mim e os valores mais santos da minha infância. E, embora deseje
profundamente que você jamais se defronte com as mesmas situações que
eu, estou certa de que sua vida não será fácil, tal como acontece às
vidas de todos na Terra. Assim, esse será nosso maior legado, nosso
principal anelo.
Hoje você é uma coisinha alegre e destemida, que morde as nossas
roupas e segura em nossos dedos para andar. Confiante, afável, terno,
carinhoso, barulhento e ativo. Está ansioso para aprender a andar, e
hoje mesmo pôde partir de sua caixa de brinquedos, sem incentivo, e dar
uns poucos passos na direção do pai. Tem oito dentinhos pequenos e
perfeitos, e uma cabecinha repleta de cabelos felpudos e suaves. Tem um
machucado no dedo que não sabemos exatamente como foi feito, e o hábito
de sorrir para tudo e para todos.
É, portanto, seu primeiro aniversário. As sacolas serão do Nemo e a
maior parte das coisas terá um azul claro. Haverá ainda um painel
contendo suas fotografias até aqui, cujo álbum, espero, resista até o
momento em que você lerá esta carta.
Os dias preparam-se para a chegada do inverno e sua mãe, embora se
sinta quase todo o tempo triste demais, encontra em você, no seu pai e
na oração, consolos infalíveis. Sou muito grata a vocês por isso,
sobretudo a você, meu amor.
QUando você vem de preça e me abraça, ou joga os braços para vir a
meu colo, honestamente te estreito e penso: ah, meu Deus, ele não
sabe.... Não sabe quanto ele significa, não sabe quão desafiador, penoso
e magnífico foi chegarmos até aqui, não sabe a dádiva celeste que ele é,
talvez nem saiba da força que nos infunde, pelo simples motivo de
permanecer vivo.
Agora, porém, você sabe. O que quer que aconteça depois, aonde quer
que a vida nos prove, você saberá, agora, quanto foi amado, desejado e
querido, desde antes mesmo de ser concebido.
VocÊ foi a apoteose dos sonhos que sonhávamos quando separados por
um milhar de quilômetros, sete anos atrás.
Para terminar, gostaria de te oferecer uma mensagem realmente
singela, mas que, creio, seja de grande valia.

Meu carinho, meu amor, meu respeito e meus melhores objetivos, hoje
e sempre,

Sua mãe,

Joyce Fernanda Martins Guerra

EM PREPARAÇÃO

``Diz o Senhor: Porei as minhas leis no seu entendime n-
to e em seu coração as escreverei; e eu lhes serei por
Deus e eles me serão por povo.'' -- Paulo. (HEBREUS,
CAPÍTULO 8, VERSÍCULO 10.)
Traduziremos o Evangelho
Em todas as línguas,
Em todas as culturas,
Exaltando-lhe a grandeza,
Destacando-lhe a sublimidade,
Semeando-lhe a poesia,
Comentando-lhe a verdade,
Interpretando-lhe as lições,
Impondo-nos ao raciocínio,
Aprimorando o coração
E reformando a inteligência,
Renovando leis,
Aperfeiçoando costumes
E aclarando caminhos...
Mas, virá o momento
Em que a Boa Nova deve ser impressa, em nós mesmos,
Nos refolhos da mente,
Nos recessos do peito,
Através das palavras e das ações.


Dos princípios e ideais,
Das aspirações e das esperanças,
Dos gestos e pensamentos.
Porque, em verdade,
Se o Céu nos permite espalhar-lhe a Divina Mensagem no
mundo,
Um dia, exigirá nos convertamos
Em traduções vivas do Evangelho na Terra.

Carta do seu pai pelo seu segundo aniversário

Meu amigão,

Hoje é o último dia em que você tem um aninho. Há um misto de
nostalgia e felicidade em vê-lo chegar ao seu segundo aniversário. Já
não temos o nosso bebê primogênito e seu segundo ano, de ternura e
ingenuidade, não volta mais.
Ontem fizemos a festinha sua. Estiveram só treze pessoas, contando
comigo, com sua mãe e com você. Vieram sua madrinha, a tia Ticiana,
seus primos Hugo, Heitor e Lara, a Diva com suas sobrinhas Joyce e
Bianca e as nossas vizinhas dona Neusa e Ana Paula. Havia só bolo,
brigadeiro e bala de coco. Você se divertiu com as crianças e ficou
muito feliz, sobre uma cadeira, na hora dos parabéns. Foi por você
gostar tanto de "benzi" que fizemos a comemoraçãozinha.
Foi um ano repleto de conquistas. Quinze dias após seu primeiro
aniversário, você começou a andar em definitivo. Foi do sofá da sala
maior até a mesa da copa. Sua fala demorou um pouco mais a se
desenvolver, mas nos proporcionou alegrias e momentos de ternura
intensos.
Você teve a fase de parecer um fanático por bola, por volta de
agosto do ano passado, Chutava a bola no portão e gritava "guuul"! Agora
joga bola bem. Dá um chute, sai correndo e chutando, correndo e
chutando. Tem uma força excessiva, não só para bater na bola. Tem andado
um pouco agressivo, batendo nos primos e rejeitando sua avó Wilma. Fala
já frases bem concatenadas, como "Não pisa nas minhas pilhas!". Adora
pilhas. Come sozinho, embora fazendo uma certa bagunça. Sabe dizer onde
deixou um objeto, o que quer e o que não quer. Raramente dorme muito à
tarde. À noite, depois de uma fase difícil, em que estava dormindo
pouco, tem tido um sono de dez horas ou mais, embora acordando durante a
madrugada. Você desperta, chora alto e me chama. Então vou até sua cama,
deito contigo e você logo adormece. Se eu levanto e saio, logo você
acorda chorando de novo. Sua mãe é agora quem põe você para dormir,
todas as noites, exceto quando tem algum problema. Você dorme em
caminha, desde o fim de setembro ou começo de outubro. Antes, à noite,
era preciso te adormecer no carrinho, para depois te passar para o
berço e posteriormente para a cama, mas a partir de 07 de outubro,
passou a adormecer comigo do seu lado na caminha. Já há alguns meses,
uns dois, que é sua mãe que te coloca para dormir.
De março para cá, você tem parecido mudado, Não sei se é o
desenvolvimento rápido ou a chegada iminente da Mariles que está te
perturbando.
Gosta muito de DVDs. O do momento é o da Abelhinha. Já gostou muito
do Bamby, do Cocoricó, do Ursinho Puffi, do Saltimbancos e de "A dama
e o Vagabundo", que você chamava, sei lá por que, de "fol". Agora
chama de "Bundo".
Muito ainda eu certamente teria para te contar, mas o mais
importante é dizer-te da nossa alegria por te ver crescer e se
desenvolver a cada dia.
Sua mãe mantém um espaço na Internet, onde coloca cartinhas para
você. Acho que essa vai para o mesmo lugar. Não escrevo mais porque sou
pouco inspirado para a escrita.
Vejo-te revelar características presentes em seu espírito, à medida
que consegue seus progressinhos. O jeito carinhoso e a inteligência
rápida permanecem. Em geral, você é bom e amigo.
Amanhã você faz dois anos. Desejo que você seja feliz, meu filho, de
verdade, com a certeza dos deveres cumpridos e da consciência tranquila.
Que Deus te abençoe, agora e sempre.

Com amor,

Papai

domingo, 3 de maio de 2009

Que cheoso!

Uma das poucas coisas que consigo ingerir sem susto é água de coco.
Tenho bebido aproximadamente quatro deles por dia, e muitas vezes você
não deixa de perceber.
Quando me "flagra", diz que quer, mas não é para beber. Enfia o
rosto dentro do copo, aspira bem e diz: que cheoooooso!
Em seguida, bebe um golinho e vai embora.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Quase dois anos e muito trabalho

Estamos há menos de um mês do seu segundo aniversário, meu amor. Os
dias têm sido modorrentos, comigo exausta, você se recuperando de uma
virose, seu pai exaustíssimo e a moça que nos auxilia também passando
por incômodos físicos consideráveis.
Entrementes, sim, venho dizer que você dá trabalho. E muito.
Muitíssimo. Não me refiro aos gritos, à obediência que muitas vezes vem
menos rápida que nossa vontade, ao fato de ter entornado um pote de
toddy em si e no chão da casa de seus tios mais chegados. Menos ainda me
refiro às febres, às tosses eventuais, aos desafios inerentes de se
cuidar de uma criança tão pequena.
O trabalho que você me dá transcende todos esses marcos, de modo que
eles se tornam pequeninos pontos diante dos fatos reais. Você é, como
creio já ter dito, o professor mais paciente e mais exigente que poderia
ter. A lágrima de frustração rapidamente se torna lágrima de alegria de
recomeço, e cá estamos nós, unidos, afinal, por laços cada vez mais
fortes, porquanto flexíveis. Seus dedos nos meus, exigindo o que
aparentemente não posso dar, empurrando-me para além de mim, forçando
seu pai e eu a ultrapassar nossos limites para ser cada vez mais, por
você e em nome do Cristo, afim de levá-lo a cada uma de suas reintrâncias
morais e psíquicas.
O desejo de fazer de você um homem integral, com coragem e
dignidade, respeito e fortaleza, Cristo e espiritualidade, na acepção
mais pura, intensa e irrevogável do termo, faz que precisemos nos
reformar para te conduzir, nos desvelar para infundir em seu espírito as
linhas do Evangelho a ferro e fogo de testemunhos.
E, sim, isso dói. Dá trabalho. Crescer, expandi nosso esforço
máximo até as vias do insuspeitável exige um empenho de humildade e
determinação, caráter e percepção que outrora não nos julgávamos
capazes.
Mas por amor seu pai e eu nos unimos, e foi por amor que te
trouxemos para o palco dessa existência, e é por amor que estamos
contigo, dia após dia, optando sempre pelo mais proveitoso em lugar do
mais fácil.
Nós te amamos e te somos eternamente gratos por tanto "trabalho".

sexta-feira, 10 de abril de 2009

adeizinhaaaaaaa!

Você descobriu as peças de xadrez do seu pai e fica todo satisfeito
em atirá-las ao chão, logo após gritar, feliz: adeizinhaaaaaaa! Apesar
de nem sempre poder manipular as peças e de nem ter dois anos, você já
é capaz de nomear cada uma separadamente, sem que nos tenhamos
esforçado grandemente para isso. É impressionante, na verdade, e nos
deixa, confesso, orgulhosos!
Hoje seu pai foi te dando as peças uma a uma, e você pareceu
pressentir alguma lógica na disposição das mesmas. Não as colocou sobre
o tabuleiro, mas sobre o pé da cama. Depois veio me buscar e colocou
minha mão suavemente sobre seu trabalho. Todos te demos parabéns.
Não ficaria surpresa se você demonstrasse talentos enxadrísticos no
futuro, o que me agrada, na verdade, não apenas pelas habilidades
intelectuais que o jogo desenvolve, mas pelo meio, em geral, que me
parece ser de pessoas sensatas e equilibradas.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

chupupa, chupupado

Essa foi agora há pouco, Kevo. Você tem mania de pedir para subir na
cômoda. Gosta de ficar lá, abrir a primeira gaveta e ver tudo que tem lá
dentro. Pega item por item, diz o que é, manipula... Então você pegava
os vidros de perfume e dizia que não podia abrir, igualmente fazia com
os vidrinhos de pomada e remédio, até que a tentação falou mais alto:
você abriu um vidro de perfume e tecnicamente virou-o. Eu disse algo
como "Ah, Kevo, você sabia que não podia fazer isso!" e você, em
seguida, tentando me abraçar: "chupupa, mamãe!". Eu te abracei de volta
e você disse: "chupupado...." Lindo!!!!
Eu observo que muitas noções de educação para você não são inéditas.
Dizer desculpa e obrigado, por exemplo, para você parece natural. Claro
que nosso exemplo diário conta para alguma coisa, mas percebo que você
os absorve e incorpora com naturalidade.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Noite de Imaginar

Sexta-feira, 13 de Março de 2009

Sim, meu filhinho... Esta é uma daquelas noites de
imaginar.
Ah, meu querido....
Gosto de te imaginar nessas noites secretas e silenciosas,
cuja escuridão misteriosa nos faz crer que o futuro fica mais perto.

Você quase pode tocá-lo com os dedos
E mesmo sem querer, imagina.
Mas não imagino longe.
Imagino o teu dia de amanhã
E como você estará no mês que vem
Imagino recordando teus cabelos
a testura perfeita sob os meus dedos
Teus abraços antes de dormir
Suas palavras descuidadas
A singeleza de quem acaba de descobrir que pode brincar com elas.

Imagino tuas frases completas
Teu encanto diante dos novos anos
E enquanto a vida se espraiar
complexa e subjetiva para todos
Você terá um universo restrito e seguro
por pouco tempo
nunca tempo demais
Só o tempo suficiente de explorar
de sentir
de beber as palavras na ponta da língua
de colher os sorrisos de quem te vir
sem jamais saber naquele momento quanto mais se esconde por detrás de
cada rosto.

A complexidade do mundo por um bom tempo se te escapará
Preto no branco, grande e pequeno
Como você agora fala
Mamãezinha e papaisão,
tudo simples assim
ou pequeno, ou branco
sem entretons nem sobretons

Pouco tempo, meu amor
Só o tempo suficiente de observar
de constatar
de beijar a vida com ânsia e curiosidade
De sentir segurança nas paredes protetoras do seu lar
De abraçar nosso amor como tua refeição de alma
E fartar-se de nós para tocar os que te virem passar.

Ah, meu querido...
Juro que em noites assim
Eu me pego te imaginando
Desejando que por muitos e muitos anos
Seus pés possam palmilhar as esquinas da vida
E que você conheça
A lágrima do encanto e a lágrima da dor
O furor da decepção e a descoberta do amor
A faculdade de ver além e de ver por mais de um ângulo
A virtude de ser mais a solução que o "x" dos problemas.

Em noites assim eu te imagino, querubim
E te desejo vida
E conhecimento
E coragem
E abundância
de sonhos
cores
desejos
esperanças
virtudes
descobertas
superações
E lágrimas.

Não um mar de rosas
Nunca
Mas um mar em que você nade
Supere a si mesmo e se descubra
antes de tudo,
depois de tudo
rei das próprias emoções
sobrevivente das próprias vivências.

Eu te amo, meu querido
E nessa noite de imaginar
Só desejo que o amor dessa hora
Escorra através dos anos
E te acolha
E te recolha de onde quer que esteja
e te toque
te aninhe
e te proteja
mesmo que, eventualmente
eu não possa murmurar
as palavras desse puro amor
Aos teus pés
Como canção de ninar arrebatada de mãe.