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segunda-feira, 4 de maio de 2009

Carta do seu pai pelo seu segundo aniversário

Meu amigão,

Hoje é o último dia em que você tem um aninho. Há um misto de
nostalgia e felicidade em vê-lo chegar ao seu segundo aniversário. Já
não temos o nosso bebê primogênito e seu segundo ano, de ternura e
ingenuidade, não volta mais.
Ontem fizemos a festinha sua. Estiveram só treze pessoas, contando
comigo, com sua mãe e com você. Vieram sua madrinha, a tia Ticiana,
seus primos Hugo, Heitor e Lara, a Diva com suas sobrinhas Joyce e
Bianca e as nossas vizinhas dona Neusa e Ana Paula. Havia só bolo,
brigadeiro e bala de coco. Você se divertiu com as crianças e ficou
muito feliz, sobre uma cadeira, na hora dos parabéns. Foi por você
gostar tanto de "benzi" que fizemos a comemoraçãozinha.
Foi um ano repleto de conquistas. Quinze dias após seu primeiro
aniversário, você começou a andar em definitivo. Foi do sofá da sala
maior até a mesa da copa. Sua fala demorou um pouco mais a se
desenvolver, mas nos proporcionou alegrias e momentos de ternura
intensos.
Você teve a fase de parecer um fanático por bola, por volta de
agosto do ano passado, Chutava a bola no portão e gritava "guuul"! Agora
joga bola bem. Dá um chute, sai correndo e chutando, correndo e
chutando. Tem uma força excessiva, não só para bater na bola. Tem andado
um pouco agressivo, batendo nos primos e rejeitando sua avó Wilma. Fala
já frases bem concatenadas, como "Não pisa nas minhas pilhas!". Adora
pilhas. Come sozinho, embora fazendo uma certa bagunça. Sabe dizer onde
deixou um objeto, o que quer e o que não quer. Raramente dorme muito à
tarde. À noite, depois de uma fase difícil, em que estava dormindo
pouco, tem tido um sono de dez horas ou mais, embora acordando durante a
madrugada. Você desperta, chora alto e me chama. Então vou até sua cama,
deito contigo e você logo adormece. Se eu levanto e saio, logo você
acorda chorando de novo. Sua mãe é agora quem põe você para dormir,
todas as noites, exceto quando tem algum problema. Você dorme em
caminha, desde o fim de setembro ou começo de outubro. Antes, à noite,
era preciso te adormecer no carrinho, para depois te passar para o
berço e posteriormente para a cama, mas a partir de 07 de outubro,
passou a adormecer comigo do seu lado na caminha. Já há alguns meses,
uns dois, que é sua mãe que te coloca para dormir.
De março para cá, você tem parecido mudado, Não sei se é o
desenvolvimento rápido ou a chegada iminente da Mariles que está te
perturbando.
Gosta muito de DVDs. O do momento é o da Abelhinha. Já gostou muito
do Bamby, do Cocoricó, do Ursinho Puffi, do Saltimbancos e de "A dama
e o Vagabundo", que você chamava, sei lá por que, de "fol". Agora
chama de "Bundo".
Muito ainda eu certamente teria para te contar, mas o mais
importante é dizer-te da nossa alegria por te ver crescer e se
desenvolver a cada dia.
Sua mãe mantém um espaço na Internet, onde coloca cartinhas para
você. Acho que essa vai para o mesmo lugar. Não escrevo mais porque sou
pouco inspirado para a escrita.
Vejo-te revelar características presentes em seu espírito, à medida
que consegue seus progressinhos. O jeito carinhoso e a inteligência
rápida permanecem. Em geral, você é bom e amigo.
Amanhã você faz dois anos. Desejo que você seja feliz, meu filho, de
verdade, com a certeza dos deveres cumpridos e da consciência tranquila.
Que Deus te abençoe, agora e sempre.

Com amor,

Papai

domingo, 4 de maio de 2008

Carta do seu pai pelo seu primeiro aniversário

Guaxupé, 03 de maio de 2008.

Meu filho bem-amado,

Amanhã você completa seu primeiro ano de vida na carne. Sua mãe teve
a boa idéia de fazermos uma espécie de livrinho de aniversário, em que
cada pessoa que vier à sua festinha possa colocar uma mensagem ou
recadinho para você, ou simplesmente assinar o nome. Eu e ela decidimos
escrever para você uma cartinha, que não será lida por outras pessoas.
Acho que só poderá ler essa missiva daqui a cinco anos, mas seu
sentido pleno ainda te escapará. Talvez, quando for um homem adulto e pai
de família, consiga aquilatar a importância sua para mim e sua mãe.
Antes de efetivamente encarnar, você veio e se foi, não uma nem duas vezes, e
isso aumentou nosso desejo de o ter conosco. Ao nascer, como à altura de
ler esta carta você já deverá saber, incúria médica te levou a aspirar
mecônio. Sua primeira noite de vida, para mim, foi dicotômica. De um
lado, eu experimentava uma alegria inédita, uma emoção indescritível, ao
mesmo tempo em que havia o temor imenso de que você "fosse bóia", para
usar a linguagem que você utilizava quando era um espírito reduzido.
Naquela madrugada de sábado, sozinho em casa, eu pedi a Deus que não te
levasse, que antes buscasse a mim, que já vivera bastante.
Os dias no Sinhá Junqueira foram difíceis, mas logo que cheguei lá
eu soube que você ficaria bom. O lugar tinha - e espero que ainda tenha
- uma atmosfera diferenciada, originada do amor com que a maioria dos
seus profissionais trabalhavam. Eram médicos e enfermeiras
atenciosíssimos e pudemos te trazer para casa, em treze de maio, dia das
mães.
Como poderia te descrever a alegria de entrar contigo nos braços em
casa? Fiz questão absoluta de o fazer. Para mim, foi como se você
estivesse nascendo naquela hora, o primeiro momento realmente feliz após
o seu tenso nascimento, naquele hospital frio e de médicos vacilantes.
Passei contigo por todos os cômodos internos, explicando o que era e
para que servia cada um.
Vieram os primeiros meses, muito mais fáceis e plenos de alegria do
que nos diziam que seriam. Você acordava muito pouco à noite e, apesar
de um refluxo que demorou a ser diagnosticado, teve bastante saúde e um
desenvolvimento normal. Com menos de três meses, você já conseguia rir
com barulho, dentro do seu berço-cercado, com suas mãozinhas, que você
parecia adorar exibir, cobertas de luvinhas e às vezes estendidas em
nossa direção.
Com menos de cinco meses, você já sustentava a cabeça, mesmo de
bruços. Aos sete, começou a engatinhar, em João Pessoa, em um clube
chamado Astre. Dois dias antes de fazer seis meses, você soltou, pela
primeira vez, em seqüência, "papa" e "mamã".
Agora você já quase anda. Na verdade, já sabe andar, mas ainda é um
pouco receoso. Conseguiu, uma vez, caminhar uns dois metros, sem
qualquer apoio. É uma coisinha bonita, alegre e barulhenta. Muitas vezes,
quando é contrariado ou está com muito sono, grita enormemente, o que
acaba me irritando.
Não sei por que estou escrevendo sobre essas coisas, que, quando ler
essa carta, eu certamente já te terei contado. Creio que me faz bem
lembrar do que ora te relato.
Quero, meu Tinzinho, agradecer-te por toda a alegria que me trouxe
nesse seu primeiro ano, pleno de ternura e bons momentos. Será indelével
em meu espírito a doce sensação de pôr os lábios nos seus cabelos,
enquanto você mama um mamadeirão. É das impressões mais ternas pô-lo nos
braços para te carregar para o bercinho, quando dorme. Quase sempre sou eu
que o faço e, quando é outra pessoa, você muitas vezes se assusta e
acorda. É suave e bom ter sua mão quentinha segurando um dedo meu,
enquanto você dá seus passinhos, agora já quase firmes, mas antes
trôpegos.

Que poderia te desejar nesse primeiro aniversário? Que consiga
alcançar seus objetivos, tão singelos quanto importantes: andar, falar e
usar cuequinha, antes dos dois anos. Creia que conseguirá e que estarei
contigo, passo a passo, assim como pretendo te acompanhar pela vida a
fora. Deus confiou-te a mim e, quando eu me for, quero ter a certeza de
que fiz tudo que estava ao meu alcance para te auxiliar na sua
caminhada, que terá percalços, como a de qualquer um. Meu desejo é que
você saiba sempre se levantar, quando vierem os golpes da vida. Não te
prepararei para ser um homem de sucesso material. A muitos pais tal
afirmação pareceria falta de amor ou loucura, quem sabe ausência de
responsabilidade paternal. Não se trata de nada disso. As experiências
que tive nos últimos quatro anos, aliadas ao meu histórico
reencarnatório, mostraram-me que um filho deve ser educado para ser um
homem de bem, só isso. Se conseguirmos, juntos, que você confirme suas
boas tendências e vença as más, poderemos nos considerar grandes
vitoriosos. Hoje, enquanto muitos pais, em meu lugar, já estariam
preocupados com sua faculdade, com como conseguiriam pagar seus cursos
disso e daquilo, eu penso em como será bom quando pudermos jogar
xadrez, futebol, baralho e banco imobiliário, se gostar dessas coisas.
Talvez te falte o luxo, o supérfluo, mas é pretensão minha e de sua mãe
que nunca te falte respeito de nossa parte e orientação para que saiba
respeitar a todos, inclusive a si mesmo. Não te faltarão ternura e
firmeza, dedicação e amizade.

Sua mãe e você são as pessoas vivas que mais me fazem feliz, que
tornaram mais leve minha existência nessa Terra de desvarios e frieza.
É claro que, ao ler essa carta, já terá percebido como eu e sua mãe
gostamos de brincar e inventar apelidos. Nesse seu primeiro ano, eu
inventei um monte: Tinzinho, Tinzinho Alegria, Tinzinho Camarada, Tim
Kevo, Tinzeira, Tinduim, Tinzeirinha, Zeira (a gente fala Zera), Pessoa,
"A criança", Bebezeira, QUevóquio, Kevêncio, Tinzoqueirinha, Queveira.
Devo ter me esquecido de algum. Perceberá, com o tempo, que só ponho
apelidos em pessoas de que gosto muito e com quem me sinto à vontade.
Também já deve ter notado que eu só "judio" daqueles a quem muito amo.
Não é por outro motivo que te mordo e aperto.

Que mais posso te dizer? Seja feliz, não com os excessos ilusórios e
transitórios do mundo, mas com o simples, a leveza, o inofensivo, a
presença de quem te ama e a consciência tranqüila. Viva de modo
que ela te deixe em paz.

Com todo meu amor,

Papai