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terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Coisinhas de Kevo

HOje foi Amigo Secreto aqui em casa. Primeira festinha de Natal da
Mariles, também, e você ganhou um grande caminhão da Diva. O camkinhão é
realmente grande, daqueles feitos para serem enchidos de areia com uma
pá imensa, que veio junto com ele. Você ficou extremamente feliz, e
elegeu o caminhão como o seu xodó, por tempo indeterminado.
Sentado na sala, antes de dormir, enfileirou todos os seus caminhões
e, antes de, finalmente conceder em ir se deitar, fez que prometêssemos
que seus preciosos caminhões ficariam ali, intactos, até a manhã do dia
seguinte.
Falando com sua tia, pensou que conversava com a avó, e lhe disse:
eu estou com a busa que a senhora deu. Tem um ziper...
Que lindo meu pequenininho!
Quando nossos convivas, chegaram, a primeria cois aque você fazia era
anunciar que tinha coxinha.
Gosto muito de você, pequenininho. Agora demospara te chamar de
chiuaua, ou seja lá como se escreva o nome daqueles cachorrinhos
pequenos e barulhentos. O fato é que, mal gradas as dificuldades
inerentes a uma criancinha de dois anos, você continua sendo nosso
potinho de alegria, nossa bênção, nosso "tinzinho alegria."
Recentemente tivemos que encontrar uma fralda noturna maiorpara
você, que está bordejando a marca dos 15 quilos. Ao ver a nova fralda,
você decidiu que ela era "muito xique", e não consegue esquecer de
anunciar que agora usa uma falda gadona emuito xique.
****

Hoje sua irmã caiu do trocador. Passou por debaixo da minha mão e
simplesmente foie statelar-se no chão, aos meus pés. Não aconteceu nada
mais grave, mas ela chorou muito e nos assustou a todos. Com ela no
colo, chorávamos juntas, eu um pouco de alívio, culpa, alegria por ela
estar bem.. - tudo junto! QWuando você chegou, me viu chorando e ficou
fazendo carinho em mim...


Enfim, Estêvão, gostaria de ter jeito e ocasião de te escrever mais
vezes. Gostaria de contar dasdelicinhas de nosso dia-a-dia, das agruras
e delícias desses últimos meses, de como nossa vida ficou mais corrida e
tão mais plena, depois que sua irmã chegou, de como você ficou triste
hoje quando, de repente, nossos convidados se despediram eforam
todosembora...
Acho que, pela primeira vez, você pressnetiu o peso da solidão, seu
império hialino sobre nossas almas.
Agora devo ir... Você vem me buscar para dormir.. +Mamãezinha linda,
amiguinha....
Durmamos juntos então, meu amor... Eque assim seja... Que você possa
crescer, brincando e aprendendo e enfileirando caminhões, enquanto a
vida te der tempo para brincar, até que ela não te convoque para vida a
sério.

domingo, 21 de junho de 2009

Notícias - falas do Kevo

Amore, não ando muito boa para escrever sobre nada. A gestação da sua
irmã está chegando ao final, e minha mente está cada vez mais lerda,
tendo iniciado o processo há mais ou menos um mês.
Mas você anda tão bonitinho e fofinho, que eu tinha que contar
algumas coisas.

*** frases do Kevo***

- Não, papai, não faz xixi não!

- Ri, mamãe! Ri, papai! (do nada)

- Vamos conversar... A roupa da mamãe tá na casa dela; a roupa do
papai, tá na casa dele.... A roupa da mamãe, ta na casa dela....

- Não, papai, não pega o eu não!!!

- quer coco, mamãe, quer?

Para além de tudo isso, você tenta cantar tinzinho camarada e
tinzinho amigão. Repete "marchem, marchem, vamos proteger" por um longo
tempo.

Misila virou Malise e Misieca. Fala com ela colocando a boca na
minha barriga ou enfiando o dedo no umbigo.

- Papai gandão. Kevo pequeniniiiiiinho!

- Ta comendo boachinha sozinho, sozinho!

- Kevo gota da mamãe.. Muito.

- mamãe, vem aqui!!!

Bebe água sozinho e fala que estava com cede. Pede comida e fala que
tava com fome.

- Kevo quer comida! Kevo ta com fome!


Chupupa virou diculpa;
gaveta é varreta;
Fala frases como "pulei e caí"
Mudou o tom para dizer "não": agora é meio surpreso e mais
simpático.
Fala aonde estão as coisas que caíram: "a meia tá no cantinho".
Batizou o lugar aonde ficam seus copos de "cantinho da aguinha do Kevo".
Quando perguntamos, de forma retórica, quem você pensa que é, a
resposta não se faz esperar: Matinho Kevo!!!!!
Gosta de suco de naanja.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Carta da sua mãe pelo teu aniversário de um ano

Meu querido amorzinho...

Você fará um ano em breve. O quarto de hóspedes está ocupado por uma
grande caixa contendo boa parte dos itens de sua festinha. Os convidados
não serão tantos, mas serão bem-vindos. Pensei em proporcionar que eles
escrevessem algo, nem que fosse seus nomes. Fico me perguntando quando
você lerá isso pela primeira vez. Gostaria de esperar um tempo, bastante
tempo. Acabo fantasiando sobre como estará o mundo, quando você puder
ler e entender essas palavras. Em que o homem terá evoluído em matéria
de auto-destruição e de amor ao próximo.
Em tempo, muitas vezes te imagino bem maior e, até, com algumas
afinidades semelhantes as minhas. Embora tentador, sou bastante
econômica nesses devaneios. Não quero te idealizar. Quero que você tenha
espaço para ser exatamente o que é. Nutro, entretanto, o desejo
incontrolável de poder semear na sua o melhor de minha própria
essência... O melhor dos ideais mais sagrados, das impressões mais sutis
e de toda sabedoria que algum dia houver passado por mim.
Espero ter capacidade para fazer isso. Não obstante hesite bastante
em idealizar teus gostos mais pessoais, não me pejo minimamente em
esperar e torcer para que você seja um homem de bem. Esse, portanto, é o
meu principal objetivo, o único sonho que gostaria que realizássemos
juntos.
Gostaria de tentar educá-lo sob os ensinamentos do nosso Mestre dos
Mestres, de plantar em você as sementes de um respeito imperecível por
si mesmo e por qualquer coisa viva que tenha diante dos olhos, a firmeza
de caráter necessária que te faça ter a coragem de enfrentar o mundo
cara a cara, lúcido, sereno, sem medo da dor, das conseqüências de amar
verdadeiramente e da incompreensão.
Houve um tempo, meu amor, em uma idade cronológica que espero que
você vivencie sob provações bem menos ásperas que as minhas, em que a
única coisa que tinha eram meus ideais e minha fé no Cristo. Mesmo
tendo sido tempos indiscutivelmente rudes, foi uma época de muito
crescimento e, sobretudo, de uma união sagrada entre mim e Deus, entre
mim e os valores mais santos da minha infância. E, embora deseje
profundamente que você jamais se defronte com as mesmas situações que
eu, estou certa de que sua vida não será fácil, tal como acontece às
vidas de todos na Terra. Assim, esse será nosso maior legado, nosso
principal anelo.
Hoje você é uma coisinha alegre e destemida, que morde as nossas
roupas e segura em nossos dedos para andar. Confiante, afável, terno,
carinhoso, barulhento e ativo. Está ansioso para aprender a andar, e
hoje mesmo pôde partir de sua caixa de brinquedos, sem incentivo, e dar
uns poucos passos na direção do pai. Tem oito dentinhos pequenos e
perfeitos, e uma cabecinha repleta de cabelos felpudos e suaves. Tem um
machucado no dedo que não sabemos exatamente como foi feito, e o hábito
de sorrir para tudo e para todos.
É, portanto, seu primeiro aniversário. As sacolas serão do Nemo e a
maior parte das coisas terá um azul claro. Haverá ainda um painel
contendo suas fotografias até aqui, cujo álbum, espero, resista até o
momento em que você lerá esta carta.
Os dias preparam-se para a chegada do inverno e sua mãe, embora se
sinta quase todo o tempo triste demais, encontra em você, no seu pai e
na oração, consolos infalíveis. Sou muito grata a vocês por isso,
sobretudo a você, meu amor.
QUando você vem de preça e me abraça, ou joga os braços para vir a
meu colo, honestamente te estreito e penso: ah, meu Deus, ele não
sabe.... Não sabe quanto ele significa, não sabe quão desafiador, penoso
e magnífico foi chegarmos até aqui, não sabe a dádiva celeste que ele é,
talvez nem saiba da força que nos infunde, pelo simples motivo de
permanecer vivo.
Agora, porém, você sabe. O que quer que aconteça depois, aonde quer
que a vida nos prove, você saberá, agora, quanto foi amado, desejado e
querido, desde antes mesmo de ser concebido.
VocÊ foi a apoteose dos sonhos que sonhávamos quando separados por
um milhar de quilômetros, sete anos atrás.
Para terminar, gostaria de te oferecer uma mensagem realmente
singela, mas que, creio, seja de grande valia.

Meu carinho, meu amor, meu respeito e meus melhores objetivos, hoje
e sempre,

Sua mãe,

Joyce Fernanda Martins Guerra

EM PREPARAÇÃO

``Diz o Senhor: Porei as minhas leis no seu entendime n-
to e em seu coração as escreverei; e eu lhes serei por
Deus e eles me serão por povo.'' -- Paulo. (HEBREUS,
CAPÍTULO 8, VERSÍCULO 10.)
Traduziremos o Evangelho
Em todas as línguas,
Em todas as culturas,
Exaltando-lhe a grandeza,
Destacando-lhe a sublimidade,
Semeando-lhe a poesia,
Comentando-lhe a verdade,
Interpretando-lhe as lições,
Impondo-nos ao raciocínio,
Aprimorando o coração
E reformando a inteligência,
Renovando leis,
Aperfeiçoando costumes
E aclarando caminhos...
Mas, virá o momento
Em que a Boa Nova deve ser impressa, em nós mesmos,
Nos refolhos da mente,
Nos recessos do peito,
Através das palavras e das ações.


Dos princípios e ideais,
Das aspirações e das esperanças,
Dos gestos e pensamentos.
Porque, em verdade,
Se o Céu nos permite espalhar-lhe a Divina Mensagem no
mundo,
Um dia, exigirá nos convertamos
Em traduções vivas do Evangelho na Terra.

Carta do seu pai pelo seu segundo aniversário

Meu amigão,

Hoje é o último dia em que você tem um aninho. Há um misto de
nostalgia e felicidade em vê-lo chegar ao seu segundo aniversário. Já
não temos o nosso bebê primogênito e seu segundo ano, de ternura e
ingenuidade, não volta mais.
Ontem fizemos a festinha sua. Estiveram só treze pessoas, contando
comigo, com sua mãe e com você. Vieram sua madrinha, a tia Ticiana,
seus primos Hugo, Heitor e Lara, a Diva com suas sobrinhas Joyce e
Bianca e as nossas vizinhas dona Neusa e Ana Paula. Havia só bolo,
brigadeiro e bala de coco. Você se divertiu com as crianças e ficou
muito feliz, sobre uma cadeira, na hora dos parabéns. Foi por você
gostar tanto de "benzi" que fizemos a comemoraçãozinha.
Foi um ano repleto de conquistas. Quinze dias após seu primeiro
aniversário, você começou a andar em definitivo. Foi do sofá da sala
maior até a mesa da copa. Sua fala demorou um pouco mais a se
desenvolver, mas nos proporcionou alegrias e momentos de ternura
intensos.
Você teve a fase de parecer um fanático por bola, por volta de
agosto do ano passado, Chutava a bola no portão e gritava "guuul"! Agora
joga bola bem. Dá um chute, sai correndo e chutando, correndo e
chutando. Tem uma força excessiva, não só para bater na bola. Tem andado
um pouco agressivo, batendo nos primos e rejeitando sua avó Wilma. Fala
já frases bem concatenadas, como "Não pisa nas minhas pilhas!". Adora
pilhas. Come sozinho, embora fazendo uma certa bagunça. Sabe dizer onde
deixou um objeto, o que quer e o que não quer. Raramente dorme muito à
tarde. À noite, depois de uma fase difícil, em que estava dormindo
pouco, tem tido um sono de dez horas ou mais, embora acordando durante a
madrugada. Você desperta, chora alto e me chama. Então vou até sua cama,
deito contigo e você logo adormece. Se eu levanto e saio, logo você
acorda chorando de novo. Sua mãe é agora quem põe você para dormir,
todas as noites, exceto quando tem algum problema. Você dorme em
caminha, desde o fim de setembro ou começo de outubro. Antes, à noite,
era preciso te adormecer no carrinho, para depois te passar para o
berço e posteriormente para a cama, mas a partir de 07 de outubro,
passou a adormecer comigo do seu lado na caminha. Já há alguns meses,
uns dois, que é sua mãe que te coloca para dormir.
De março para cá, você tem parecido mudado, Não sei se é o
desenvolvimento rápido ou a chegada iminente da Mariles que está te
perturbando.
Gosta muito de DVDs. O do momento é o da Abelhinha. Já gostou muito
do Bamby, do Cocoricó, do Ursinho Puffi, do Saltimbancos e de "A dama
e o Vagabundo", que você chamava, sei lá por que, de "fol". Agora
chama de "Bundo".
Muito ainda eu certamente teria para te contar, mas o mais
importante é dizer-te da nossa alegria por te ver crescer e se
desenvolver a cada dia.
Sua mãe mantém um espaço na Internet, onde coloca cartinhas para
você. Acho que essa vai para o mesmo lugar. Não escrevo mais porque sou
pouco inspirado para a escrita.
Vejo-te revelar características presentes em seu espírito, à medida
que consegue seus progressinhos. O jeito carinhoso e a inteligência
rápida permanecem. Em geral, você é bom e amigo.
Amanhã você faz dois anos. Desejo que você seja feliz, meu filho, de
verdade, com a certeza dos deveres cumpridos e da consciência tranquila.
Que Deus te abençoe, agora e sempre.

Com amor,

Papai

Aniversário de dois anos

Não estou com a melhor mente para escrever, mas o assunto pede para
ser registrado, Tinzinho. Ontem comemoramos seu segundo aniversário.
Você só faz dois anos amanhã, na segunda-feira, mas calhou da festinha
dar-se ontem, no sábado.
Aqui estiveram seus primos, suas tias Ticiana e Shelcia, Ana Paula e
dona Neusa, nossas vizinhas e a Diva, que esteve conosco até pouco tempo
atrás.
Foi uma comemoração extremamente simples e igualmente gratificante.
Você se divertiu muito, tendo seus "parabéns" e brincando com seus
primos, mais Joycinha e Bianca, sobrinhas da Diva que estiveram também
conosco.
A única foto que sobreviveu à absurda falta de energia do momento de
sua festinha não te inclui, mas a anexo a esse relato, apenas por efeito
de registro.
Estar contigo por esses dois anos foi revolucionário de muitas
formas, exaustivo de poucas e engrandecedor de tantas maneiras, que
jamais poderia descrever aqui. Você tornou intensos e exaustivos muitos
de nossos dias, mas também nos trouxe uma ternura, aprofundamento,
dignidade, bondade e amor que não cabem nem num papel, nem num poema.
Gostaria de hoje ter a serenidade e a psicosfera indispensável para
te escrever, com doçura e vagar, todo o bem que nos fez, mas, por agora,
as palavras são idéias meio confusas que se entrelaçam na minha cab eça,
sem muita da agilidade e sentido habitual. Ainda assim, quero registrar
nossa gratidão, uma vez mais, pelo mero feito de você ter aportado em
nossas vidas.

domingo, 16 de novembro de 2008

Pelo teu aniversário de um ano e meio

Sexta-feira, 7 de Novembro de 2008
Pelo teu aniversário de um ano e meio Você veio com cheiro de surpresa,
estrela cadente, milagre de idéias, dimensões minúsculas em gigantescas
proporções. Milênios de evolução condensados em uma forma misteriosa,
novelo delicado respirando na placenta. Então você nasceu, pura
necessidade de vida a correr pelas veias e se esparramar pelas
expressões. E você se expressou. Aprendeu a rir com barulho, sustentar a
cabeça, apontar para as coisas, despertar amor e beijar. Aprendeu a
gostar de desenhos, a mexer no que não devia, a fazer carinho quando a
gente nem esperava, a cantar numa linguagem incompreensível, a dormir
segurando nossa mão, a balançar os seus potinhos. E por isso eu te amo:
por você ser você. Presente, promessa, expectativa, perspectiva de
mundo, tradução da esperança, do recomeço redivivo, do instinto sobre a
matéria, do amor sobre as coisas dos homens, da força sacrossanta da
inocência. Eu te amo porque você está conosco, porque faz dos nossos
dias tão alegres, ou tão exaustivos, ou tão ternos, ou tão doces, ou tão
prenhes - Mas, sem dúvida, você sempre faz algo com nossos dias. E
também por isso eu te amo. Mas não te amo só por isso, embora pudesse
ser bastante. Te amo por todos esses e por muitos mais motivos que
caberiam na gota de um orvalho, no barulho da chuva, numa risadinha sem
querer - Mas não cabem nas minhas palavras, por mais que eu as force ou
exprima, ou espiche ou comprima. Quando o assunto é amor, quando o
assunto é você e o que fez em nós, tudo é pouco demais, enquanto o
"pouco" decerto é suficientemente loquaz.

sinto-me plena

domingo, 4 de maio de 2008

Carta do seu pai pelo seu primeiro aniversário

Guaxupé, 03 de maio de 2008.

Meu filho bem-amado,

Amanhã você completa seu primeiro ano de vida na carne. Sua mãe teve
a boa idéia de fazermos uma espécie de livrinho de aniversário, em que
cada pessoa que vier à sua festinha possa colocar uma mensagem ou
recadinho para você, ou simplesmente assinar o nome. Eu e ela decidimos
escrever para você uma cartinha, que não será lida por outras pessoas.
Acho que só poderá ler essa missiva daqui a cinco anos, mas seu
sentido pleno ainda te escapará. Talvez, quando for um homem adulto e pai
de família, consiga aquilatar a importância sua para mim e sua mãe.
Antes de efetivamente encarnar, você veio e se foi, não uma nem duas vezes, e
isso aumentou nosso desejo de o ter conosco. Ao nascer, como à altura de
ler esta carta você já deverá saber, incúria médica te levou a aspirar
mecônio. Sua primeira noite de vida, para mim, foi dicotômica. De um
lado, eu experimentava uma alegria inédita, uma emoção indescritível, ao
mesmo tempo em que havia o temor imenso de que você "fosse bóia", para
usar a linguagem que você utilizava quando era um espírito reduzido.
Naquela madrugada de sábado, sozinho em casa, eu pedi a Deus que não te
levasse, que antes buscasse a mim, que já vivera bastante.
Os dias no Sinhá Junqueira foram difíceis, mas logo que cheguei lá
eu soube que você ficaria bom. O lugar tinha - e espero que ainda tenha
- uma atmosfera diferenciada, originada do amor com que a maioria dos
seus profissionais trabalhavam. Eram médicos e enfermeiras
atenciosíssimos e pudemos te trazer para casa, em treze de maio, dia das
mães.
Como poderia te descrever a alegria de entrar contigo nos braços em
casa? Fiz questão absoluta de o fazer. Para mim, foi como se você
estivesse nascendo naquela hora, o primeiro momento realmente feliz após
o seu tenso nascimento, naquele hospital frio e de médicos vacilantes.
Passei contigo por todos os cômodos internos, explicando o que era e
para que servia cada um.
Vieram os primeiros meses, muito mais fáceis e plenos de alegria do
que nos diziam que seriam. Você acordava muito pouco à noite e, apesar
de um refluxo que demorou a ser diagnosticado, teve bastante saúde e um
desenvolvimento normal. Com menos de três meses, você já conseguia rir
com barulho, dentro do seu berço-cercado, com suas mãozinhas, que você
parecia adorar exibir, cobertas de luvinhas e às vezes estendidas em
nossa direção.
Com menos de cinco meses, você já sustentava a cabeça, mesmo de
bruços. Aos sete, começou a engatinhar, em João Pessoa, em um clube
chamado Astre. Dois dias antes de fazer seis meses, você soltou, pela
primeira vez, em seqüência, "papa" e "mamã".
Agora você já quase anda. Na verdade, já sabe andar, mas ainda é um
pouco receoso. Conseguiu, uma vez, caminhar uns dois metros, sem
qualquer apoio. É uma coisinha bonita, alegre e barulhenta. Muitas vezes,
quando é contrariado ou está com muito sono, grita enormemente, o que
acaba me irritando.
Não sei por que estou escrevendo sobre essas coisas, que, quando ler
essa carta, eu certamente já te terei contado. Creio que me faz bem
lembrar do que ora te relato.
Quero, meu Tinzinho, agradecer-te por toda a alegria que me trouxe
nesse seu primeiro ano, pleno de ternura e bons momentos. Será indelével
em meu espírito a doce sensação de pôr os lábios nos seus cabelos,
enquanto você mama um mamadeirão. É das impressões mais ternas pô-lo nos
braços para te carregar para o bercinho, quando dorme. Quase sempre sou eu
que o faço e, quando é outra pessoa, você muitas vezes se assusta e
acorda. É suave e bom ter sua mão quentinha segurando um dedo meu,
enquanto você dá seus passinhos, agora já quase firmes, mas antes
trôpegos.

Que poderia te desejar nesse primeiro aniversário? Que consiga
alcançar seus objetivos, tão singelos quanto importantes: andar, falar e
usar cuequinha, antes dos dois anos. Creia que conseguirá e que estarei
contigo, passo a passo, assim como pretendo te acompanhar pela vida a
fora. Deus confiou-te a mim e, quando eu me for, quero ter a certeza de
que fiz tudo que estava ao meu alcance para te auxiliar na sua
caminhada, que terá percalços, como a de qualquer um. Meu desejo é que
você saiba sempre se levantar, quando vierem os golpes da vida. Não te
prepararei para ser um homem de sucesso material. A muitos pais tal
afirmação pareceria falta de amor ou loucura, quem sabe ausência de
responsabilidade paternal. Não se trata de nada disso. As experiências
que tive nos últimos quatro anos, aliadas ao meu histórico
reencarnatório, mostraram-me que um filho deve ser educado para ser um
homem de bem, só isso. Se conseguirmos, juntos, que você confirme suas
boas tendências e vença as más, poderemos nos considerar grandes
vitoriosos. Hoje, enquanto muitos pais, em meu lugar, já estariam
preocupados com sua faculdade, com como conseguiriam pagar seus cursos
disso e daquilo, eu penso em como será bom quando pudermos jogar
xadrez, futebol, baralho e banco imobiliário, se gostar dessas coisas.
Talvez te falte o luxo, o supérfluo, mas é pretensão minha e de sua mãe
que nunca te falte respeito de nossa parte e orientação para que saiba
respeitar a todos, inclusive a si mesmo. Não te faltarão ternura e
firmeza, dedicação e amizade.

Sua mãe e você são as pessoas vivas que mais me fazem feliz, que
tornaram mais leve minha existência nessa Terra de desvarios e frieza.
É claro que, ao ler essa carta, já terá percebido como eu e sua mãe
gostamos de brincar e inventar apelidos. Nesse seu primeiro ano, eu
inventei um monte: Tinzinho, Tinzinho Alegria, Tinzinho Camarada, Tim
Kevo, Tinzeira, Tinduim, Tinzeirinha, Zeira (a gente fala Zera), Pessoa,
"A criança", Bebezeira, QUevóquio, Kevêncio, Tinzoqueirinha, Queveira.
Devo ter me esquecido de algum. Perceberá, com o tempo, que só ponho
apelidos em pessoas de que gosto muito e com quem me sinto à vontade.
Também já deve ter notado que eu só "judio" daqueles a quem muito amo.
Não é por outro motivo que te mordo e aperto.

Que mais posso te dizer? Seja feliz, não com os excessos ilusórios e
transitórios do mundo, mas com o simples, a leveza, o inofensivo, a
presença de quem te ama e a consciência tranqüila. Viva de modo
que ela te deixe em paz.

Com todo meu amor,

Papai